A juventude brasileira precisa de política pública!

A juventude brasileira precisa de política pública. Arte: Rafael Werkema/CFESS

É preocupante saber que parte da população, da mídia e da política brasileira só discute a questão da juventude quando o assunto é redução da maioridade penal. Muito se fala em punir, discurso que se sobrepõe ao que realmente deveria estar em pauta: investimento em política pública para jovens de todo o país.

Por esse motivo, o primeiro CFESS Manifesta de 2014 faz um apelo: a juventude brasileira precisa de política pública! Só que não é qualquer política que o serviço social defende.

“O desenvolvimento de políticas para a juventude na América Latina e no Brasil foi determinado pelos problemas dos/as jovens na sociedade e pelos desafios de como lhes facilitar seus processos de transição e integração ao mundo adulto. Os distintos enfoques das políticas evidenciam um marcado traço integracionista, orientadas a facilitar a incorporação dos jovens à sociedade, mediante a melhora dos mecanismos que asseguram a transição à etapa adulta. Supõem, portanto, que os problemas de inserção estão nos/as jovens, além de uma visão adultocêntrica, que situa o/a adulto/a como ponto de referência para o mundo juvenil. Nesse sentido, a juventude só passa a ser objeto de ação quando representa ‘perigo’, ‘ameaça’, ou seja, as políticas de juventude não nascem a partir da constituição de um espaço de visibilidade da condição juvenil, incluindo sua diversidade e uma concepção ampliada de direitos”, diz trecho do documento.

Conselho Federal de Serviço Social – CFESS

As sementes de 2014 em nós

Como será 2014?

Que 2014 seja um degrau dessa caminhada é o engajamento fraterno que une Carta Maior e seus leitores a milhões de brasileiros empenhados em construir o Ano Novo.

Liste meia dúzia de fatos públicos que subverteram a sua indiferença em 2013. O exercício  rememorativo não busca o rigor dos balanços enciclopédicos, mas o frescor do impacto que  impele à ação e faz da  memória  um pedaço do futuro.

O que mais te impressionou no Ano Velho?

A convalescência sem cura da desordem neoliberal; o custo histórico devastador dessa longa agonia?

A força fraca das praças e ruas cheias de protestos, mas vazios de projetos?

O afunilamento do establishment  capitalista, ilustrada no esfarelamento de Obama e da UE ?

A  versão nativa desse ponto de mutação; a despudorada endogamia  entre a direita, a ‘terceira via’, o judiciário e a mídia no Brasil?

O espaço de exceção escavado na democracia brasileira pela  AP 470;  a cobrança  de um agironamento político que essa ofensiva vem reiterar ao PT?

A morte de Chávez — as rupturas que a roleta biológica impõe ao destino individual e coletivo, desprovido de contrapesos institucionais perenes?

A angústia ambiental  marcada nos ponteiros de um futuro capturado pela lógica cega dos oligopólios?

A confirmação de que nunca mais estaremos sozinhos, como provou Edward Snowden?

A percepção de que é inadiável  refazer o pacto do desenvolvimento brasileiro,  interditado pela virulenta sabotagem conservadora?

A  dura transição de uma América Latina cobrada a reconstruir o alicerce da esquerda  na areia movediça da crise global?

A certeza de que viver e produzir como  indivíduo e/ou famílias  isoladas, diante das forças descomunais dos mercados, é a  danação da liberdade individual e não o seu fastígio?

As combinações são inesgotáveis.

Mas dificilmente escapam à percepção, quase sensorial, de que o calendário e a história coincidem cada vez mais em direção à travessia do velho para o novo.

A opressão de uma existência  sobrecarregada de demandas coletivas não contempladas não cairá por si.

De novo, é incontornável  refletir sobre o peso decisivo do poder que essa travessia requisita.

O poder de Estado.

Os compromissos e escolhas  que a luta dentro e fora dele impõe, mas sobretudo, as salvaguardas do processo que só a ampliação da democracia participativa pode assegurar.

O Brasil viverá nas eleições de 2014 um degrau importante dessa transição de ciclo.

Pelo seu peso geopolítico dentro e fora da AL, não é exagero dizer que a luta pela reeleição de Dilma pulsa na constelação dos divisores que vão ordenar o longo amanhecer do século XXI.

A sociedade que emergiu das conquistas acumuladas a partir de 2002, não cabe mais nos limites do atual sistema político nacional.

A democracia brasileira precisa se ampliar para que a riqueza possa  convergir. E a economia voltar a crescer.

As costuras já não se sustentam com novos  remendos.

Uma  logística e uma industrialização  planejadas  para servir a 30% da população mostram  a incompatibilidade do projeto elitista com o anseio de cidadania  de milhões de brasileiros resgatados da fome e da miséria na última década.

Supor que  uma novo equilíbrio emergirá do retorno a políticas nefastas dos anos 90, quando o país, seu patrimônio e sua gente foram reduzidos a um anexo dos mercados desregulados, é confundir o que anda para frente com o cortejo empenhado em ir para trás.

A responsabilidade de interferir nessa disputa requer certas estacas balizadoras que impeçam o retrocesso e assegurem o rumo progressista às mudanças.

O Brasil tem razões para não regredir.

A desigualdade entre nós ainda grita alto em qualquer competição mundial.

Mas indicadores de 150 países comparados pela  Boston Consulting Group mostram que o Brasil foi o que melhor utilizou o crescimento dos últimos cinco anos para elevar o padrão de vida da população.

A narrativa conservadora sempre desdenhou  da dinâmica vigorosa embutida nesse degelo social.

Reconhecer os novos aceleradores sociais do desenvolvimento não implica negar os gargalos prevalecentes e outros novos  adicionados pela correlação de forças da última década.

Ambos são reais.

A coexistência de um Brasil urgente, vital e encorajador, com uma estrutura  de comunicação anacrônica e monopolista, por exemplo,  distorce e constrange  as vozes que precisam ser ouvidas nesse Rubicão da nossa história.

A travessia  não se completará  de forma emancipadora se a mídia persistir como um poder ubíquo, dotado de meios e recursos leoninos para exacerbar o conflito,  desqualificar projetos e fraudar opiniões que não comungam do seu ideário de nação e de mundo.

A importância desse debate e desse momento levou Carta Maior  a definir uma nova etapa de sua história.

Para contemplá-lo renovamos o projeto gráfico e promovemos um salto editorial com a incorporação de vozes consagradas do debate democrático brasileiro.

Mudamos não para reforçar  uma casamata de certezas graníticas.

Mas para ampliar a janela aberta ao ar fresco do desassombro, que inclui a crítica e a  autocrítica das escolhas e experiências do próprio campo progressista nesse percurso.

Temos a convicção de que  somente assim será possível enxergar melhor o caminho  no longo amanhecer da sociedade de homens e mulheres livres que tenham o comando do seu próprio destino.

Que 2014 seja um degrau dessa caminhada é o engajamento fraterno que une Carta Maior e seus leitores  a milhões de brasileiros empenhados em construir o verdadeiro Ano Novo.

Que venga 2014. Combateremos à sombra. Boas Frestas!

Publicado no site da revista Carta Maior.