O auxílio emergencial de R$600 não pode acabar!

Auxílio emergencial

Bolsonaro quer acabar com a renda básica emergencial de R$600 mensais e não podemos deixar isso acontecer. Como você sabe, em março nossa ação coletiva conseguiu aprovar esse auxílio emergencial contra a vontade do presidente. Só que agora ele pretende reduzir o valor para R$300 e manter apenas até agosto, independente da situação sanitária e econômica do país.

Essa é uma medida inaceitável, já que todos sabem que, infelizmente, a crise sem precedentes que vivemos deve durar muitos mais meses. A renda básica emergencial é a única coisa que tem garantido comida na mesa a milhões de famílias. Precisamos agir rapidamente novamente para mostrar aos deputados e senadores que a vida e a dignidade de milhões de pessoas depende do auxílio emergencial.

Juntos podemos garantir a continuidade de uma renda básica a todos que precisam: envie seu recado ao Congresso Nacional e mostre que você quer a aprovação de uma nova lei que garanta a continuidade da Renda Básica Emergencial no valor de R$600 até o fim da crise gerada pela pandemia: www.rendabasica.org.br.

Clique aqui para pressionar!

Um abraço cheio de esperança.

 

Como é divido o gado

Gado bolsonarista

Gado Gospel
É aquele sujeito fanático por religião, aquele que de dez palavras, sete são Deus, Jesus ou o presidente, para eles essa é a santíssima trindade. Este tipo de gado acredita piamente que, aquele que não mencionamos, é um enviado de Deus à Terra, o Messias, aquele que acabará com todos os sofrimentos e garantirá a vida eterna.

Gado Pitty Bull
É aquele marombado, só anda de regata, garrafinha na mão e nunca leu um livro. Sempre teve ódio de tudo, não gosta de ninguém, tem vontade de bater em todos. Aí apareceu um candidato falando tudo o que sempre quiseram ouvir.

Gado viúvo(a) da Ditadura
São senhores e senhoras que passaram os melhores momentos da sua juventude durante a ditadura e acreditam que aquela alegria se deve aos militares. Foram educados aprendendo sobre os “Grandes vultos do Brasil”, todos militares, claro. Em suma, são aqueles que foram doutrinados durante a Ditadura e, é aquilo, domesticou o bezerro, vai ser gado a vida toda!

Gado Empresário
Divide-se este tipo de gado em duas espécies:

  1. O gado empresário “grandes empresas”; e
  2. O gado empresário “pequenos negócios”.

O gado empresário grandes empresas é esperto, ele sabe que lucra com o governo do Helenão, sabe que os trabalhadores perdem direitos, trabalham mais e que não terão que honrar com suas dívidas. Banqueiros, mega comerciantes, donos de redes de restaurantes e especuladores estão neste tipo de gado. O gado empresário pequenos negócios acredita mesmo que é um gado grandes empresas, é tipo uma crise de identidade. Este tipo de gado não entende que, quando a renda do trabalhador piora, seu pequeno negócio também piora.

Gado negacionista
Representada uma grande parte do gado, ele acredita que a China criou o vírus como arma, ele acredita que a Terra é plana, não acredita no aquecimento global, acredita que a Covid-19 é um plano da “esquerda globalista”, em suma, se forma através do Olavo de Carvalho e Whatsapp. Ah, com esse gado não tem discussão, eles sabem de uma verdade que só eles sabem, nós é que somos loucos.

Gado Nacionalista
Tudo dele é verde e amarelo, as redes sociais dele é verde e amarelo, seu carro tem bandeira, sua cueca é verde e amarela, todo post que faz é sobre exaltar a Pátria, a bandeira nacional e “O Brasil acima de todos!”. Não gosta de samba, não gosta de pobre, não toma caipirinha, odeia capoeira, mas ama uma estátua da liberdade, algumas vezes coloca uma na fachada da sua loja. Mas todos nós sabemos que o sonho deste tipo de gado é morar nos Estados Unidos.

Gado Enrustido
É aquele gado paz e amor, se diz apartidário, que é isentão e coisa e tal. Compartilha imagens de animais abandonados, vaquinhas virtuais para as quais nunca contribui, mensagens motivacionais e coisa do tipo. Mas, de vez em quando, ele dá uma escorregada e a pata e o rabo de gado aparecem.

Gado Híbrido
É o gado que mistura mais de um tipo de gado. Tem gado híbrido que mistura todas as características anteriores.

Por Mitiko Mine, recebido pelo WhatsApp

A renda básica foi sancionada, mas cadê o dinheiro?

Jair Bolsonaro coletiva

Depois de muita pressão na campanha #PagaLogoBolsonaro, o presidente finalmente sancionou o projeto da renda básica de emergência para as famílias mais pobres!

Mas ainda resta saber a partir de quando os pagamentos serão feitos, como se dará o repasse e outros detalhes para tornar a renda básica uma realidade. Para isso, precisamos que Bolsonaro apresente o decreto que regulamenta esse auxílio. Só iremos comemorar quando o dinheiro estiver na conta de quem precisa!

O projeto que conseguimos aprovar no Congresso é bem melhor do que a proposta inicial do governo, de apenas R$200 para os trabalhadores autônomos. A ampliação da quantidade de beneficiários e da quantia a ser paga é fruto do barulho feito pelas mais de meio milhão de assinaturas, os milhares de emails de pressão, apoio de economistas e influenciadores e incontáveis menções à nossa campanha nas redes sociais. E, é claro, da articulação de mais de 160 organizações e movimentos envolvidos na campanha!

Assim que sair o decreto, vamos preparar uma cartilha com os detalhes sobre quem poderá pedir o auxílio (e como fazê-lo). Te enviamos o material por aqui, ok? Em tempos de fakenews, é fundamental espalharmos informações precisas por aí.

Bolsonaro, Guedes e Lorenzoni: os brasileiros mais pobres precisam da renda básica de emergência já para colocar comida na mesa!

Renda Básica que queremos Coronavírus 2020

Estamos quase lá! Depois de muita mobilização, o Congresso Nacional aprovou a proposta da Renda Básica Emergencial! Agora, para virar realidade, o governo federal precisa fazer sua parte e dar a canetada final: o presidente Jair Bolsonaro precisa sancionar o PL da renda básica e realizar o repasse imediato aos milhões de brasileiros vulneráveis em meio à pandemia de COVID-19.

Não temos tempo a perder: precisamos implementar uma política de renda básica de emergência para os mais desprotegidos. Abril está chegando e, com ele, vêm as contas de água, luz e aluguel. Precisamos garantir as condições para que todas as pessoas se isolem e para que possam ter dignidade nesses tempos difíceis.

Serão dezenas de milhões de pessoas recebendo o valor de 600 reais mensais por pelo menos três meses. Um impacto pequeno se comparado ao orçamento do país – mas gigantesco em relação às vidas de quem precisa escolher entre se isolar e continuar vivo ou ir às ruas garantir o pão de cada dia.

Envie agora o seu recado ao Bolsonaro, ao ministro da economia Paulo Guedes e ao ministro da cidadania, Onyx Lorenzoni e exija que paguem logo e renda básica!

Bolsonaro com coronavírus

Pressione Bolsonaro, Guedes e Lorenzoni a pagarem a Renda Básica com urgência!

Conteúdo para o envio do e-mail.

Renda Básica Emergencial: Implementação com urgência!

Prezados Presidente Bolsonaro, Ministro Paulo Guedes e Ministro Onix Lorenzoni,

O Congresso está aprovando hoje a criação de uma Renda Básica Emergencial de R$600 mensais destinada a grupos vulneráveis da população diante da pandemia da Covid-19.

A implementação dessa política é urgente: o governo federal deve agir com muita rapidez para fazer a renda básica chegar aos beneficiados pela iniciativa. É preciso transferir de imediato a todas as pessoas já cadastradas em bases de dados do governo, e também criar uma plataforma virtual de cadastro de novos nomes para evitar aglomeração de pessoas.

Escrevo para pedir que o presidente dê total prioridade à sanção do projeto da Renda Básica, e que o governo inicie o repasse logo em seguida. Como processo, reforço as sugestões da campanha Renda Básica Que Queremos:

  1. Realizar o pagamento imediato para quem já está cadastrado no Cadastro Único.
  2. Aumentar automaticamente o valor do repasse aos beneficiários do Bolsa Família para se equiparar à Renda Básica.
  3. Realizar o cadastramento on-line de quem ainda não está no Cadastro Único via Meu INSS.
  4. Para mais informações, visitem o site da campanha: http://www.rendabasica.org.br.

Conto com vocês!

Fonte

 

Vitória! Agora só falta o governo pagar a Renda Básica

Renda Básica Bolsonaro

Nossa mobilização está forte, potente e rendendo frutos: o Senado está aprovando neste momento a Renda Básica Emergencial! Agora que ganhamos a batalha no Congresso, o projeto vai pras mãos de Bolsonaro, que tem o poder de realizar o repasse imediato aos milhões de brasileiros beneficiados pela pela iniciativa. Mas até agora ele não anunciou nem quando nem como fará isso. Precisamos fazer ainda mais barulho, e pra isso criamos uma página que te permite mandar um e-mail diretamente para o Presidente e dois de seus Ministros: Paulo Guedes, na Economia, Onyx Lorenzoni na Cidadania. Agora é só você clicar neste link para pressionar Bolsonaro e sua equipe pelo pagamento imediato da Renda Básica de Emergência.

O novo coronavírus trouxe um cenário ruim pra todos, mas muito pior para alguns: as famílias mais pobres e os trabalhadores informais são os mais afetados pela crise e já estão com dificuldades pra  conseguir o básico, como colocar comida na mesa. As pessoas mais vulneráveis em meio à pandemia de Covid-19 não podem esperar nem mais um minuto. Mostre que está do lado delas e mande seu recado ao presidente Bolsonaro e seus Ministros.

O projeto que conseguimos aprovar no Congresso é bem melhor do que a proposta inicial do governo. As autoridades agora têm nas mãos um projeto que beneficia mais pessoas, com mais verba e que pode ser implementado pra ontem. Só falta eles se mexerem, por isso nosso coro será um só: #pagalogoBolsonaro!

50 anos depois, Brasil volta a ser alvo sistemático de denúncias internacionais por violações de direitos humanos

50 anos depois, Brasil volta a ser alvo sistemático de denúncias internacionais por violações de direitos humanos

Dique 100O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas se transformou em uma plataforma de ataques contra o governo de Jair Bolsonaro, denunciado por diversas violações ao meio ambiente, a mulheres e a indígenas, e pelo desmonte dos mecanismos de proteção aos direitos humanos. O encontro, que acontece desde o final de fevereiro e é considerado como a principal sessão do ano, vem colocando o Itamaraty em uma posição defensiva.

A ofensiva da sociedade civil e de alguns dos principais relatores da ONU coincide com outro momento complicado para o governo de Bolsonaro. Pela Europa, governos e parlamentares têm questionado o acordo comercial entre a União Europeia e Mercosul. Câmaras Legislativas de regiões da Bélgica e Áustria já promoveram votações para bloquear o tratado, alegando que não aceitariam uma aproximação num momento em que o governo brasileiro não se compromete em questões ambientais.

Na Suíça, que assinou um tratado em separado com o Mercosul, grupos políticos insistem que tal acordo precisa ser submetido a um referendo popular, apostando numa reação contrária da opinião pública diante da atual imagem internacional do Brasil. Mas a pressão internacional não se limita à Amazônia e as últimas reuniões na ONU escancararam como o Brasil já perdeu a confiança pelas inúmeras queixas recebidas sobre práticas incompatíveis com os diretos humanos.

Em janeiro deste ano, uma reunião privada dentro da missão diplomática do Canadá, em Genebra, fazia um exercício: como a comunidade internacional e da ONU deveriam reagir em termos legais diante de governos ditatoriais e com comprovadas violações graves de direitos humanos. O encontro, mantido em total sigilo, era organizado por entidades internacionais e ONGs, com o convite feito a governos europeus e de delegações de outras regiões do mundo. Ottawa havia cedido uma sala em sua missão diplomática para o debate. Oficialmente, tratava-se apenas de um exercício e uma simulação de cenários políticos. Mas altamente simbólico.

Entre os países com sérias violações de direitos humanos escolhidos para o debate confidencial estava o Brasil, ao lado do regime autoritário da China e da repressão no Egito. A realidade é que, 50 anos depois de o país ser alvo de denúncias nos antigos órgãos da ONU diante da tortura e desaparecimentos durante a ditadura, o Brasil volta a preocupar a comunidade internacional de uma forma sistemática.

Nos últimos 30 anos, denúncias e críticas foram apresentadas contra os diferentes governos brasileiros. Mas jamais colocando em questão a própria democracia e a existência do espaço cívico. Nos corredores da ONU e salas de reuniões, o governo brasileiro vive uma pressão inédita em seu período democrático, com relatores da entidade, ONGs brasileiras e estrangeiras, ativistas e líderes indígenas se sucedendo em críticas ao desmonte dos mecanismos de proteção aos direitos humanos no país.

Apenas em 2019, mais de 35 denuncias foram apresentadas contra o Brasil e, em 2020, essa tendência ganhou um novo ritmo. Desde que a sessão oficial do Conselho começou, dia após dia entidades e representantes de mecanismos especiais das Nações Unidas tomam o microfone na solene sala da ONU para acumular denuncias contra o Brasil. São bispos de Brumadinho ou defensores de direitos humanos que chegam para suplicar pelo apoio internacional contra um governo que, na visão de muitos, faz questão de menosprezar seus compromissos internacionais.

Um dos questionamentos veio da relatora da ONU para o direito à alimentação, Hilal Elver. Na quarta-feira passada, ela apresentou seu informe em que criticou abertamente o Brasil. Segundo o texto, o país era um “grande exemplo” de como instituições para o combate à fome estavam sendo financiadas, no marco do Fome Zero. “Infelizmente, esta boa prática foi quase perdida em 2019, quando o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional foi desmantelado”, lamentou. Os ataques levaram o governo brasileiro a tomar a palavra na ONU para questionar o informe. A delegação do Itamaraty afirmou ter ficado “desapontada” com algumas “informações enganosas” do documento. De acordo com o governo, a reestruturação das instituições de combate à fome teve como objetivo “modernizar” a administração.

Indígenas

Outra área de atrito é a produção agrícola brasileira. Segundo o mesmo informe de Elver, é “particularmente preocupante o aumento significativo das queimadas na Amazônia brasileira, seguindo as promessas feitas pelo novo governo de abrir terras indígenas para a agricultura e mineração. Bolsonaro e seus aliados fomentam reiteradas vezes essa postura, insistindo em projetos que abram as reservas. “O governo passou a chamar os povos indígenas que se opõem à sua política como anti-desenvolvimentistas”, criticou.

Nesse ponto, uma vez mais o governo rebateu, alegando que os incêndios foram devidamente gerenciados e que a escala do problema era “consistente” com a média histórica. Elver não se deu por satisfeita e voltou a questionar. “A Amazônia é patrimônio de toda a humanidade”, insistiu, lembrando como os incêndios em 2019 foram mais severos. Segundo ela, existem “interesses” para abrir a região para a pecuária. “É uma situação importante e delicada o uso de floresta para a Humanidade no futuro. Não podemos destruir apenas para produzir mais alimentos. Isso não seria argumento aceitável”, disse.

Lembrando do impacto dessas ações para grupos indígenas, a relatora ainda defendeu que haja algum tipo de investigação internacional sobre a relação das grandes corporações e a situação da floresta, um cenário de pesadelo para a diplomacia nacional. “Talvez com algum comitê especial da ONU”, sugeriu.

Mineração

Durante a sessão, um tema que colocou pressão sobre o governo foi a legalização da mineração em terras indígenas. O caso levou Davi Kopenawa Yanomami a viajar até Genebra para alertar a comunidade internacional sobre a situação dos povos indígenas. Há um mês, Bolsonaro assinou um projeto de lei para regulamentar a mineração e a geração de energia elétrica em reservas indígenas. O projeto de lei será analisado pelo Congresso Nacional. Mas, em sua assinatura numa cerimônia no Palácio do Planalto, Bolsonaro declarou ser um “sonho” a abertura de reservas indígenas para a mineração.

O projeto passou a ser alvo de duros ataques nas Nações Unidas. O relator da ONU para o meio ambiente, David Knox, foi um dos que pediu que o projeto seja barrado. Para ele, a medida de Bolsonaro é “profundamente preocupante” e alerta que a situação dos indígenas seria “fortemente afetada”. “Esse é um retrocesso no reconhecimento dos direitos indígenas”, insistiu. Na mesma sessão, a pressão também veio do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Em nome da entidade, o jurista Paulo Lugon Arantes afirmou que “o arcabouço legislativo criado pelo Brasil desde sua redemocratização está sendo desmontado em uma velocidade impressionante”. De acordo com o CIMI, no Congresso há mais de 800 projetos que atentam contra o arcabouço legislativo criado no Brasil nos últimos anos.

Uma vez mais, o governo tomou uma postura defensiva. No debate, a embaixadora do Brasil na ONU, Maria Nazareth Farani Azevedo, tratou o assunto como se fossem “falácias” que estariam sendo ditas sobre a situação de meio ambiente no país e indicou que “correções” seriam necessárias. Ao longo dos dias, a embaixadora fez reuniões com o segundo escalão da cúpula da ONU para pressionar por uma revisão da posição do organismo sobre a situação no Brasil. Em vão.

Mulheres e religião

A pressão do Itamaraty não impediu que a situação das mulheres também fosse denunciada, num gesto que gerou desconforto no Palácio do Planalto que, por sua vez, exigiu uma ação do Itamaraty. O Brasil havia sido citado em um relatório submetido ao Conselho, ao lado de países onde a religião é usada como justificativa para impedir que meninas e mulheres tenham acesso à educação sexual, assim como direitos reprodutivos e acesso à saúde sexual. Desde o início do governo Bolsonaro, o país modificou sua política externa e de direitos humanos para levar em conta valores religiosos. De acordo com o informe, consultas realizadas na América Latina em 2019 chegaram à constatação de que programas de educação sexual e saúde reprodutivas foram cortados no Brasil. Isso, segundo as pessoas ouvidas nas consultas, teria uma relação direta com a “pressão de grupos religiosos”.

O relator da ONU para Liberdade Religiosa, Ahmed Shaheed, confirmou sua preocupação e indicou que recebeu relatos de como as ameaças aos direitos de meninas e mulheres são realidades em diversos locais. Segundo ele, os estados da região continuam com leis seculares. “Mas as pessoas me relatam que existe uma visibilidade cada vez maior de grupos religiosos em espaços públicos que argumentam que alguns direitos de mulheres podem ser limitados com uma justificativa religiosa”, disse. “Meninas e mulheres têm tido dificuldades em ter acesso a direitos reprodutivos, com a consequência para a saúde e muito mais que isso”, alertou.

Ao longo dos últimos meses, o Itamaraty tem adotado uma postura que vem causando choque entre delegações estrangeiras. Em projetos de resolução na ONU, o governo tem alertado que não aceitaria referências a termos como educação sexual ou direitos reprodutivos. Em Nova York em setembro de 2019, o governo ainda se somou a uma declaração liderada pelos EUA em que países insistiam sobre a necessidade de se evitar a “criação” de novos direitos. Entre eles, mais uma vez estavam os direitos reprodutivos e sexuais. O argumento é de que tais referências poderiam abrir caminhos legais para o aborto.

Bachelet

A onda de críticas e cobranças contra o Brasil não ocorreram de forma isolada. No início do encontro da ONU, no final de fevereiro, o tom foi dado pela própria alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet. Num encontro fechado com a ministra de Direitos Humanos, Damares Alves, ela levantou a questão das violações contra indígenas e defensores de direitos humanos. O governo jamais revelou o conteúdo do encontro. Dias depois, num discurso oficial, Bachelet incluiu o Brasil na lista dos cerca de 30 países que vivem uma situação especialmente preocupante em temas de direitos humanos. Damares Alves, porém, já não estava mais em Genebra para escutá-la.

“No Brasil, ataques contra defensores dos direitos humanos, incluindo assassinatos – muitos deles dirigidos a líderes indígenas – estão ocorrendo em um contexto de retrocessos significativos das políticas de proteção ao meio ambiente e aos direitos dos povos indígenas”, alertou Bachelet. “Também estão aumentando as tomadas de terras indígenas e afrodescendentes”, disse. Outro temor da representante da ONU se refere ao trabalho dos movimentos sociais e dos ataques sofridos por ongs. Segundo ela, também estão aumentando os “esforços para deslegitimar o trabalho da sociedade civil e do movimento social”. No ano passado, ela já havia alertado sobre o encolhimento do espaço cívico no Brasil, o que gerou duras reações por parte do governo brasileiro. Desta vez, o governo optou por um ataque violento.

A embaixadora do Brasil na ONU, Maria Nazareth Farani Azevedo, pediu a palavra para descrever o questionamento de Bachelet de “lamentável” e alertando que a chilena teria sido aconselhada de forma errada. Uma análise da situação, segundo ela, não estaria sendo feita com bases em dados e evidências atualizados. “Propomos uma conversa com base em fatos”, disse. Ela ainda sugeriu que deva haver um fim para um embate entre “narrativas politicamente motivadas”.

Ela ainda se recusou a aceitar as denúncias de Bachelet. “Não há recuou para proteger o meio ambiente, muito menos na proteção dos direitos indígenas”, declarou. “Pelo contrário”, disse a embaixadora, lembrando que Bolsonaro criou o Conselho da Amazônia. Segundo ela, a demarcação de terras indígenas é uma realidade e a proteção é conduzida de forma séria. “Existe um amplo espaço cívico no Brasil”, completou a diplomata aplaudida pelo bolsonarismo mais radical, lembrando que 900 entidades apoiaram a candidatura do governo para o Conselho da ONU. Muitos desses apoios vinham de organizações religiosas e a lista contava até mesmo com agências imobiliárias no México, algo jamais explicado pelo governo.

Disputa de visões e projetos de futuro

Disputa de visões e projetos de futuro

Chegamos a um momento de inflexão estratégica na conjuntura brasileira. Até aqui, no campo ideológico e mais visível, predominaram as bravatas do valentão Capitão Bolsonaro, de seus filhos 01, 02 e 03, e dos obscurantistas ministros inspirados em Olavo de Carvalho. Trata-se do grupo disposto a desencadear uma “guerra cultural” entre nós, com liberdade para matar até, em defesa de costumes e valores conservadores na sociedade brasileira, invocando “Deus, pátria, família e propriedade”.  Estrategicamente camuflada na reforma da previdência, a agenda real é o mais descarado ultraliberalismo, de desconstrução constitucional de direitos de cidadania e das políticas públicas que, com participação, visam à busca de maior igualdade. Trata-se de uma clara agenda de desmonte do Estado democrático de direitos para torná-lo um agente público de subjugação total de tudo e de todos à ganância colonial e predatória das grandes corporações capitalistas, das finanças, do agronegócio e do extrativismo, renunciando à própria soberania.

Qual é o sinal mais evidente de inflexão na conjuntura política? Não tenho dúvidas em afirmar de forma enfática que a manifestação nas ruas na última quarta-feira, dia 15 de maio, pelo direito à educação, com emblemáticos nodos em todas as capitais e em muitas outras cidades do país, é sinal de uma onda cidadã que pode vir por aí. A indignação diante das propostas do governo “velho” de menos de cinco meses só não vê quem usa a mesma viseira estreita do capitão e de seus cúmplices. Trata-se apenas de uma mudança simbólica, mas é por aí que a resistência pode sair das trincheiras e que podem começar as mudanças em qualquer democracia viva.

Hegemonia se conquista e se exerce no campo de princípios éticos, valores, visões e propostas, com projetos de futuro, captando sentimentos e percepções que grassam no seio da sociedade civil. Momentaneamente, no vazio da crise econômica e de descrédito na política, acabou conquistando vitória eleitoral em 2018 o discurso moralista, conservador, patriarcalista e autoritário de Bolsonaro, diferente de todos os outros candidatos.  Mas bastou pouco tempo para que tal hegemonia eleitoral começasse a ruir e revelar o seu verdadeiro caráter de ataque aos direitos e à democracia para todos.

Em minha visão e análise, reconheço que, em última análise, a cidadania em sua diversidade é a força com poder instituinte e constituinte. Suas expressões nas diferentes conjunturas são sinais fundamentais de humores, dissabores e desejos que circulam no seio da sociedade civil. Mas a mobilização pública, como a ocorrida, já é um ato de vontade política que se cria numa combinação de visões e ameaças concretas presentes na conjuntura. No momento, destaco o emblemático que é para qualquer sociedade a defesa do sentimento de pertencimento e de futuro que propicia exatamente a cultura. O ataque desferido pelo atabalhoado e autoritário governo de plantão contra a educação despertou o sentimento de “basta!”. Já durante o carnaval apareceram os sinais de resistências culturais profundas às mensagens bélicas dados pelo governo, de forma irônica, claro, como é própria da grande festa brasileira. Agora, estamos saindo das trincheiras e indo à luta cidadã aberta. Aonde vamos parar? Ainda é cedo para responder. O fato é que a indignação extravasou e a porteira para a rua da cidadania está aberta. Basta estar no meio do “ruído”, lá na vida da rua, para ver e sentir que surgiu algo forte no seio da sociedade civil, acima de representantes políticos e poderes constituídos.

De toda forma, vale a pena enfatizar que este promissor começo é apenas um começo promissor, plantinha desabrochando em terreno de muitas hostilidades, do local ao nacional e ao mundial. Nenhum dos “pacotes de maldades” saiu da pauta por enquanto. Para lembrar, pesam sobre nossas cabeças propostas de liberação de armas e direito de matar de Bolsonaro, projetos de institucionalização de uma segurança repressiva pelo ministro Moro, a destruição da previdência solidária em favor da capitalização do nosso futuro por Guedes e sua ameaça de ruptura do pacto federativo, a “escola sem partido”, o combate ao “marxismo cultural” e o recente corte no orçamento da educação do Ministro da área.

A flexibilização da legislação trabalhista já ocorrida e a que se quer propor ainda mostram a sua cara cruel nos números de trabalho e emprego. Importa reconhecer que estamos vivendo uma profunda transformação no paradigma prático e conceitual da relação social “trabalho” nas sociedades capitalistas como um todo. Como vamos enfrentar isto é, talvez, a maior questão de cidadania pela frente. Está em jogo o futuro de nossos filhos e netos e de seus filhos e netos.

O fato é que precisamos repor, de forma renovada, no centro do ativismo cidadão os emblemáticos valores de direito à liberdade, à igualdade, à diversidade, à solidariedade e à participação. É nesta base que poderemos construir outro futuro. Todos estes valores estavam nos unindo no último dia 15, cimentando, por assim dizer, as individualidades extremamente diversas em raça, gênero e idade, até visões políticas em favor de uma grande causa comum. Por menores e frágeis que sejam as plantas recém nascidas, elas carregam um grande futuro. Cabe a nós cuidar da plantinha que plantamos, aqui na planície, sem muito olhar para o Planalto endoidecido. Temos legitimidade e podemos crescer em força cidadã para mudar isto tudo. Já fizemos isto no passado, por que não agora?

Rio, 20 de maio de 2019

Cândido Grzybowski
Sociólogo, presidente do Ibase

A fome é real: nota do Ibase sobre a declaração de Jair Bolsonaro

A fome é real: nota do Ibase sobre a declaração de Jair Bolsonaro

A declaração do Presidente Jair Bolsonaro em que afirma ser mentira haver quem passe fome no Brasil mostra um total desconhecimento do cotidiano de boa parte da população brasileira. Apesar de sermos um dos maiores produtores de alimentos no mundo, nosso país ainda carrega uma realidade bastante dramática quando o assunto é a fome e a extrema pobreza.

Dados levantados pelo Relatório Luz da Agenda 2030, do ano passado, já mostravam o aumento do número de pessoas vivendo em situação de pobreza no Brasil, nos levando a patamares de 12 anos atrás, com mais de 10 milhões de brasileiros nessa condição. Um quadro diretamente ligado à fome e que é agravado com o desmonte de políticas públicas de transferência de renda. Dados mais recentes sobre segurança e insegurança alimentar no Brasil ainda não foram liberados para divulgação pelo Governo.

O fim de espaços de participação da sociedade civil para o monitoramento e a acompanhamento da situação da segurança alimentar no país é mais um fato que demonstra o quanto a comida que chega (ou não) à mesa do brasileiro não está entre as preocupações mais urgentes da atual gestão federal. Depois de ter sido recriado pelo Congresso, o Consea (Conselho Nacional de Segurança Alimentar) foi extinto novamente por Jair Bolsonaro, agora com força de lei.

Como organização que, historicamente, tem a luta contra a fome e pela segurança alimentar em sua pauta, o Ibase acredita que é preciso que o Governo Federal trabalhe para a geração de renda e emprego aos brasileiros, com inclusão social e equidade de direitos, além de fortalecer os espaços de participação para que a sociedade civil tenha mais voz nas decisões que afetam a todas e a todos. Fechar os olhos para a realidade do país não irá fazer com que os problemas desapareçam. E, como diria Herbert de Souza, fundador do Ibase, quem tem fome, tem pressa.

Jair Bolsonaro visita Camboriú para abertura oficial do 37º Congresso de Gideões

Jair Bolsonaro visita Camboriú para abertura oficial do 37º Congresso de Gideões

Cerca de 10 mil pessoas no evento. Prefeito Elcio Kuhnen apresentou duas demandas para o presidente da República.

O presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, esteve em Camboriú nesta quinta-feira, dia 2, para a abertura oficial do 37º Congresso Internacional das Missões dos Gideões Missionários da Última Hora. Ele se reuniu com o prefeito Elcio Rogério Kuhnen; o governador do Estado, Carlos Moisés; e autoridades catarinenses antes do evento. Cerca de 10 mil pessoas assistiram a solenidade no ginásio de esportes Irineu Bornhausen, no Centro.

Durante o evento, o presidente recebeu uma placa do Gideões e homenageou o tenente coronel Avelino Billy, que atuou na 2ª Guerra Mundial. “Há um bem maior em todos nós. Na nossa vida, nada vale se não há liberdade. Poucos têm a oportunidade de conhecer um herói vivo e aqui estamos diante de um”, declarou Bolsonaro.

A orquestra do Gideões e os alunos do Caic Jovem Ailor Lotério que participam do projeto “Sou estudante, sou cidadão” – parceria entre a Polícia Militar e a Secretaria de Educação do município – entoarem o hino nacional. O evento contou ainda com apresentações de dança, entrada da tocha e bandeiras dos estados brasileiros e nações.

“Estou tomado de muita gratidão por esse momento. É um orgulho ter o presidente do país, aqui, pela primeira vez em viagem ao estado”, compartilhou o prefeito Elcio Rogério Kuhnen. “Digo e repito: o Congresso de Gideões é um dos eventos mais importantes do município, já que impulsiona o desenvolvimento econômico de Camboriú e é um instrumento de fé”, completa.

O 37º Congresso Internacional das Missões dos Gideões Missionários da Última Hora é organizado pela Associação e Movimento Comunitário Rádio Paz no Valle FM, com apoio da Prefeitura de Camboriú. A estimativa, de acordo com a organização, é de que a cidade receba cerca de 100 mil visitantes até o fim do evento.

Solicitações ao presidente

Durante a passagem, o prefeito apresentou demandas para Jair Bolsonaro. Elcio protocolou uma solicitação de recurso para projeto de drenagem no Distrito do Monte Alegre, estimado em R$ 18 milhões, feito pela Secretaria de Proteção e Defesa Civil. O outro requerimento é para pavimentação da estrada da Limeira que liga Camboriú à Brusque – uma solicitação conjunta com o dono da Havan, Luciano Hang. O presidente da República se comprometeu a analisar os pedidos.

Prefeitura de Ilhota

Camboriú sedia 37ª edição do Congresso de Gideões

Camboriú sedia 37ª edição do Congresso de Gideões a partir desse sábado

Evento segue até 6 de maio. Jair Bolsonaro visitará Camboriú durante o congresso.

A 37ª edição do Congresso Internacional das Missões dos Gideões Missionários da Última Hora inicia nesse sábado, dia 27. A abertura está marcada para as 19 horas, no pavilhão do Gideões (anexo a Igreja Assembleia de Deus). A expectativa é de que 100 mil pessoas visitem o município durante o evento, que segue até o dia 6 de maio.

O Congresso de Gideões é promovido pela Associação Movimento Comunitário Rádio Paz no Valle FM, com apoio da Prefeitura de Camboriú. A abertura oficial está marcada para o dia 1º de maio, no ginásio de esportes Irineu Bornhausen. Dentre os destaques da edição deste ano, está a visita do presidente da república, Jair Bolsonaro, na próxima sexta-feira, dia 3.

Alterações de trânsito
Mudanças no trânsito de Camboriú serão implantadas entre os dias 1º e 4 de maio. A principal alteração, assim como nos anos anteriores, é o fechamento da área central da cidade para veículos. Os motoristas que chegaram ao município pela Avenida Santa Catarina deverão virar à direita na rótula, sentido ao Instituto Federal Catarinense (IFC), e seguir pela Avenida Minas Gerais. As ruas Manoel Anastácio Pereira e Pedro Saut Junior, no Centro, ficarão fechadas entre as 18 horas e meia-noite.

Fiscalização de barracas
A fiscalização da Secretaria de Finanças começou esta semana. Os comerciantes que forem encontrados sem alvará serão notificados e e terão que regularizar a situação para continuar a trabalhar. Equipes percorrerão as ruas durante o evento.

Poluição
A Fundação do Meio Ambiente de Camboriú (Fucam) irá fiscalizar poluições sonoras e descarte de resíduos.

Abordagens sociais
A Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social de Camboriú, por meio do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), intensificará as abordagens sociais durante o congresso. A equipe, composta por três pessoas, atuará durante todos os dias do evento, das 7 horas à meia-noite.

Atendimentos de saúde
A Secretaria de Saúde prestará serviços básicos, como verificação de pressão arterial, e primeiros socorros. Casos mais graves serão encaminhados para o pronto-atendimento do Hospital Cirúrgico Camboriú (HCC). Fiscais da vigilância sanitária irão vistoriar as barracas que comercializam alimentos.

Prefeitura de Camboriú