Conheça 7 ataques químicos que EUA se negam a comentar

Às vésperas de uma possível ação militar sob a justificativa de uso de armas químicas, relembre episódios que Washington não faz questão de citar.

1. O Exército norte-americano no Vietnã

O Exército norte-americano no Vietnã

Durante a guerra, no período de 1962 até 1971, as Forças Armadas dos EUA despejaram cerca de 20 milhões de galões – 88,1 milhões de litros aproximadamente – de armamento químico no país asiático. O governo vietnamita estima que mais de 400 mil pessoas morreram vítimas dos ataques; 500 mil crianças nasceram com alguma deficiência física em função de complicações provocadas pelos gases tóxicos. E o dado mais alarmante: mais de um milhão de pessoas têm atualmente algum tipo de deficiência ou problema de saúde em decorrência do Agente Laranja – poderosa arma química disparada durante o conflito.

2. Israel ataca população palestina com Fósforo Branco

 Israel ataca população palestina com Fósforo Branco

Segundo grupos ligados aos direitos humanos – como Anistia Internacional e Human Rights – o material altamente venenoso foi disparado em 2009 contra civis de origem palestina em território israelense. O Exército negou na época o uso de armas químicas. No entanto, alguns membros das Forças Armadas admitiram os disparos. Clique aqui e veja a reportagem.

3. Washington atacou iraquianos com Fósforo Branco em 2004

Washington atacou iraquianos com Fósforo Branco em 2004

Jornalistas que participaram da cobertura da Guerra do Iraque reportaram que o Exército norte-americano utilizou armas químicas na cidade de Fallujah. Inicialmente, os militares se justificaram dizendo que o material serviu apenas para “iluminar o local ou criar cortinas de fumaça”. No entanto, o documentário “Fallujah, o massacre encoberto”, do diretor Sigfrido Ranucci, apresenta evidências do ataque com depoimentos com membros das Forças Armadas dos EUA admitindo o episódio. Crianças e mulheres foram as principais vítimas.

4. CIA ajudou Saddam Hussein a massacrar iranianos e curdos em 1988 com armas químicas

CIA ajudou Saddam Hussein a massacrar iranianos e curdos em 1988 com armas químicas

Documentos da Inteligência norte-americana divulgados uma década depois revelam que Washington sabia que Saddam Hussein utilizava armas químicas na guerra Irã-Iraque. Mesmo assim, continuou colaborando com o presidente iraquiano. No começo de 1988, em específico, Washington alertou Hussein do movimento de tropas iranianas. Usando a informação, foi feito um ataque químico que massacrou tropas do Iraque em um vilarejo povoado por curdos. Cerca de cinco mil pessoas morreram. Outras milhares foram vítimas de complicações em decorrência dos gases venenosos.

5. EUA realizaram testes químicos em bairro pobre e negro de St Louis

EUA realizaram testes químicos em bairro pobre e negro de St Louis

No começo da década de 50, o Exército norte-americano organizou um teste de militar em alguns bairros populares de St. Louis – caracterizados por ter maioria negra. O governo disse aos moradores que realizaria um experimento com fumaças de iluminação “contra ameaças russas”. No entanto, a substância atirada na atmosfera continha gases sufocantes. Após os testes, um número grande de pessoas da região desenvolveu câncer. Não há informações oficiais do número de pessoas vítimas do ataque químico.

6. Exército norte-americano bombardeou tropas iraquianas com armas químicas em 2003

Exército norte-americano bombardeou tropas iraquianas com armas químicas em 2003

A cruzada de Washington à procura de armas nucleares teve episódios de disparos químicos contra os militares iraquianos, que acabaram atingindo civis. Durante 2007 e 2010, centenas de crianças nasceram com deficiências. “As armas utilizadas no confronto no Iraque destruíram a integridade genética da população iraquiana”, afirmou na ocasião Cristopher Busby, o secretário do comitê europeu de Riscos de Material Radioativo.

7. Japoneses são massacrados com Napalm entre 1944-1945

Japoneses são massacrados com Napalm entre 1944-1945

Em 1980, a ONU (Organização das Nações Unidas) declarou que a utilização do Napalm (um tipo de álcool gelatinoso de alto grau de combustão) seria a partir de então considerada crime de guerra dado o efeito absolutamente devastador da substância. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Exército norte-americano derrubou sobre os japoneses o suficiente para queimar 100 mil pessoas, deixar mais um milhão feridas e destruir milhares de residências.

Fonte: Opera Mundi

Cinquenta anos depois, Vietnã e EUA iniciam limpeza conjunta do “agente laranja”

A arma química afetou pelo menos 3 milhões de vietnamitas e continua a provocar doenças no país.  Cinquenta anos depois de seus aviões militares jogarem 80 milhões de litros do agente laranja nas áreas rurais do Vietnã, os Estados Unidos iniciaram um projeto de limpeza nesta quinta-feira (09/08) em conjunto com o governo do país

A arma química afetou pelo menos 3 milhões de vietnamitas e continua a provocar doenças no país.

Cinquenta anos depois de seus aviões militares jogarem 80 milhões de litros do agente laranja nas áreas rurais do Vietnã, os Estados Unidos iniciaram um projeto de limpeza nesta quinta-feira (09/08) em conjunto com o governo do país.

O herbicida tóxico será removido de uma antiga base militar norte-americana na cidade de Damang. Pelo menos 73 mil metros cúbicos de solo serão escavados e colocados em tanques de alta temperatura para remover a dioxina, substância tóxica insolúvel em água e de longa decomposição. Por isso, autoridades norte-americanas e vietnamitas estimam que o projeto levará quatro anos para remover o agente laranja da área.

O esforço é visto como um passo para remover tensões diplomáticas entre os países num momento em que o governo norte-americano disputa o poder de influência com a China no Sudeste Asiático. “Nós estamos movendo a terra para enterrar nossos legados do passado”, disse David Shear, embaixador dos EUA em uma cerimônia perto da antiga base militar, citado pelo jornal The Guardian.p

Apesar do investimento de 49 milhões de dólares, muito mais será necessário para acabar com as marcas que o agente laranja deixou na sociedade vietnamita. Por conta da alta concentração de dioxina, este herbicida pode causar doenças como câncer, deficiências genéticas e outros problemas. Segundo estimativas da Cruz Vermelha, a saúde de pelo menos três milhões de vietnamitas já foi afetada em decorrência da exposição à substância, que continua a prejudicar a sociedade local.

O composto entrou na cadeia alimentar humana do país por ter infectado plantações e animais e ainda continua presente em diversas áreas rurais do país. Uma família de vietnamitas que mora perto da antiga base militar descobriu nesta semana que todos os seus membros possuem alto nível de dioxina em seu sangue, informou o jornal Huffington Post.

O arame farpado e o grande muro de concreto que cercam a antiga base em Danang não impedem que o cheiro da substância química se espalhe pelos arredores e ao que tudo indica, também não foram suficientes para impedir a contaminação de outras plantações, animais e pessoas. Em 2016, a região pode estar à salva, mas muitas outras bases utilizadas pelos EUA durante a guerra e áreas bombardeadas durante a guerra, ainda não.

Operação de guerra

No período de 1961 a 1971, tropas norte-americanas espalharam cerca de 80 milhões de litros de agente laranja sobre o território vietnamita por meio de aviões e caças. A operação, conhecida como Ranch Hand, tinha como objetivo matar as plantas nas florestas, de modo que os vietcongues não pudessem mais se esconder nas áreas rurais e encontrassem dificuldade para se alimentar.

Fabricadas pelas multinacionais Monsanto e Dow Chemical, que ainda permanecem ativas no mercado, a substância é uma mistura de dois herbicidas que apresentam elevados teores da dioxina tetraclorodibenzodioxina, extremamente tóxica à saúde humana.

Foto histórica da Guerra do Vietnã completa 40 anos

Foto tirada em 8 de junho de 1972 mostra um pequeno grupo de crianças fugindo das explosões na vila de Trang Bang, no Vietnã. A imagem tornou-se símbolo da guerra. Kim Phuc aparece nua, no centro, entre o irmão mais novo, Phan Thanh Phouc, que perdeu um olho, e dois primos, que aparecem de mãos dadas, Ho Van Bon e Ho Thi Ting Nick Ut/AP

Sempre quis escapar dessa imagem
dize o personagem de foto histórica da Guerra do Vietnã

Poucas vezes uma foto simbolizou tão bem o horror de uma guerra. Era 8 de junho de 1972, no Vietnã, e o fotógrafo Huynh Cong ‘Nick’ Ut viu algumas crianças correndo, tentando escapar de seguidas explosões na vila de Trang Bang, na província de Tay Ninh.

Ele não pensou duas vezes antes de fotografar a cena, que trazia uma personagem que entraria para a história: uma garotinha de 9 anos, nua, gritando “muito quente, muito quente”, enquanto tentava escapar das bombas.

A imagem tornou-se um dos símbolos da Guerra do Vietnã e agora está perto de completar 40 anos.  Hoje, a personagem da foto está com 49 anos e diz que a foto a perseguiu a vida inteira.

“Eu realmente quis escapar daquela menina”, diz Phan Thi Kim Phuc. “Eu queria escapar dessa imagem, mas parece que a foto não me deixou escapar”, disse ela, que hoje comanda uma fundação para ajudar crianças vítimas da guerra.

“Eu fui queimada e me tornei uma vítima da guerra, mas crescendo, tornei-me outro tipo de vítima”, completa ela. Ao relembrar o momento em que a foto foi tirada, ela diz ter ouvido fortes explosões e que o chão “tremeu”.

“Eu vou ficar feia, não serei mais normal. As pessoas vão me ver de um jeito diferente”, ela diz ter pensado na hora, ao perceber que sua mão e braço esquerdos estavam queimados.

Em choque, ela correu atrás seu irmão mais velho e não se lembra de reparar nos jornalistas estrangeiros reunidos enquanto corria na direção deles, gritando. Depois disso, ela perdeu a consciência.

“Eu chorei quando a vi correndo”, diz Ut, que cobria a guerra pela Associated Press. “Se eu não a ajudasse e alguma coisa acontecesse que a levasse a morte, acho que eu me mataria depois”, comenta o fotógrafo, que nunca mais deixou de falar com Phuc. Ele a deixou em um pequeno hospital e fez os médicos garantirem que tomariam conta da garota.

A foto foi publicada e, alguns dias depois, outro jornalista, Christopher Wain, um correspondente britânico que tinha dado água de seu cantil a Phuc, descobriu que ela tinha sobrevivido. A garota tinha sido transferida para uma unidade americana em Barsky, única instalação em Saigon equipada para lidar com ferimentos graves.

“Eu não tinha ideia do que tinha acontecido comigo”, diz Phuc. “Acordei no hospital com muita dor e com enfermeiras ao meu redor. Acordei com um medo terrível”.

“Toda manhã, às 8 horas, as enfermeiras me colocavam em uma banheira com água quente para cortar toda a minha pele morta. Eu só chorava e quando eu não aguentava mais, desmaiava”, relembra ela que hoje vive com o filho e o marido, Bui Huy Toan, no Canadá.

Depois de vários enxertos de pele e cirurgias, Phuc foi finalmente autorizada a deixar o hospital, 13 meses após o bombardeio. Ela tinha visto foto de Ut, que até então tinha ganhado o Prêmio Pulitzer, mas ainda não sabia do alcance e poder da imagem.

“Fico muito feliz em saber que ajudei Kim”, disse Ut, que ainda é fotógrafo da Associated Press. “Eu a chamo de minha filha”, brinca.

“A maioria das pessoas conhece minha foto, mas sabe pouco sobre minha história”, diz Phuc. “Fico agradecida por poder aceitar essa foto como um presente. Com ela, eu posso usá-la para a paz.”

Em 1812, Napoleão Bonaparte ordena retirada de Moscou

Napoleão se retira de Moscou, em tela de Adolph Northern

Um mês após a força invasora de Napoleão Bonaparte ter ingressado na área de uma deserta e incendiada Moscou, o famélico exército francês é obrigado, em 19 de outubro de 1812, a dar início a uma precipitada retirada da Rússia.

Em 24 de junho de 1812, após a recusa pelo Czar Alexander I do Sistema Continental proposto por Napoleão, o imperador francês invadiu a Rússia com seu Grande Armée (Grande Exército). O enorme exército, contando com mais de 500 mil soldados e pessoal de comando e intendência, foi a maior força militar jamais reunida até aquela data.

Durante os primeiros meses da invasão, Napoleão se viu forçado a enfrentar um exército russo implacável e em constante recuo. Recusando-se a enfrentar o exército de Napoleão, superior em número, numa confrontação em larga escala, os russos, sob o comando do general Mikhail Kutuzov, executavam a política de terra arrasada à medida que recuava mais e mais em território russo.

Em 7 de setembro, foi travada a inconclusa Batalha de Borodino, na qual ambos os lados sofreram terríveis baixas. Em 14 de setembro, Napoleão chegou a Moscou com a intenção de encontrar suprimentos de boca, mas em vez disso deparou-se com uma cidade praticamente abandonada com o exército russo novamente batendo novamente em retirada.

Queda

No começo da manhã seguinte, incêndios irromperam em toda a cidade obra de patriotas russos e os alojamentos de inverno da ‘Grande Armée’ foram sistematicamente destruídos. Depois de esperar um mês pela rendição que nunca aconteceu, Napoleão, diante da inclemência do inverno russo, foi obrigado a ordenar a retirada de seu exército de Moscou.

Durante a desastrosa retirada, o exército francês sofreu um contínuo assédio de um exército russo repentinamente agressivo e impiedoso. Acossado pela fome e pelas investidas mortais dos cossacos, o dizimado exército alcançou o rio Berezina no final de novembro, contudo, sua passagem estava bloqueada pelos russos.

Em 26 de novembro, Napoleão forçou uma passagem através do rio Studienka, e quando o grosso de seu exército atravessou o rio três dias mais tarde, foi obrigado a queimar as pontes improvisadas atrás de si, abandonando a sua própria sorte cerca de 10 mil retardatários na outra margem. A partir daí a retirada significou uma derrota esmagadora. Em 8 de dezembro, Napoleão permitiu que o remanescente de seu exército pudesse retornar a Paris. Seis dias mais se passaram até que a ‘Grande Armée’ finalmente deixou a Rússia tendo sofrido uma perda de mais de 400 mil homens durante a desastrosa invasão.

Outros fatos marcantes da data

Hoje teve início a Guerra dos Cem Anos entre França e Inglaterra

Iluminura de um manuscrito do século XV representando Batalha de Crécy na Guerra dos Cem Anos
Na Abadia de Westminster, o rei da Inglaterra, Eduardo III reivindica oficialmente o trono da França para o seu primo, Felipe VI. Eduardo III, filho de Isabel, filha do último rei da França, Felipe o Belo, e do defunto rei Eduardo II, se declara digno herdeiro do trono da França. É o início de um conflito – 7 de outubro de 1337 – que oporia a França à Inglaterra durante muitos anos e que seria conhecida como a Guerra dos Cem Anos.

No decurso dessa guerra, em 26 de agosto de 1346, o rei da França, Felipe VI de Valois sofre uma severa derrota diante do rei da Inglaterra, em Crécy-em-Ponthieu, na Picardia. Os cavaleiros franceses, mais numerosos que seus adversários, são dizimados pelos arqueiros ingleses. Esta batalha reabilitaria o papel da infantaria em relação à cavalaria.

Após onze meses de sítio, a cidade de Calais capitula diante dos ingleses, em 3 de agosto de 1347. O rei da Inglaterra promete evitar o massacre sob a condição que lhe sejam entregues seis burgueses da cidade. Com a corda no pescoço, seis habitantes de Calais levam as chaves da cidade ao rei. A rainha Felipa de Hainaut intervém e os seis são deportados para a Inglaterra. Cinco séculos mais tarde, o escultor Rodin imortalizaria o episódio.

O exército francês é dizimado pelos arqueiros ingleses na primeira verdadeira batalha da guerra em Poitiers em 19 de setembro de 1356. O rei João II o Bondoso e seu filho Felipe o Audaz são feitos prisioneiros. O príncipe Negro os conduz a Bordeus.

Miniatura medieval mostrando a Batalha de Poitiers (1356)
Durante a guerra, as preliminares de um tratado de paz entre os reis da França e da Inglaterra são assinadas em Brétigny  em 8 de maio de 1360. O rei da França, prisioneiro dos ingleses desde 1356, cede as terras ao norte entre Calais e Ponthieu e ao sul, a Aquitânia. O rei inglês traz o resgate de 3 a 4 milhões de escudos e renuncia a exigir o trono da França. Os conflitos entre os dois países seriam retomados 9 anos mais tarde.

O condestável – posto militar de maior graduação no exército abaixo apenas da suprema chefia do rei – Bertrand Du Guesclin é feito prisioneiro pelo príncipe da Gales durante a batalha de Navarra em 3 de abril de 1367. Apelidado de o Príncipe Negro, o príncipe de Gales prenderia o condestável em Bordeus onde os emissários do rei da França negociariam sua libertação. Du Guesclin foi libertado em 17 de janeiro de 1368.

O exército francês é esmagado pelas tropas inglesas do rei Henri V em Azincourt, ao norte de Somme, em 25 de outubro de 1415. Atolados, os cavalos da nobreza francesa não conseguiram opor-se aos arqueiros ingleses. Numerosos cavaleiros são feitos prisioneiros. Ainda que com superioridade numérica – 50 mil contra 15 mil ingleses – os franceses estavam muito desorganizados. Azincourt é uma das batalhas mais mortíferas da Idade Média. Em seguida à vitória, Henri V tomaria a Normandia.

Joana d’Arc

Em 10 de setembro de 1419, o duque de Borgonha, João sem Medo, é assassinado em Montereau por um partidário do delfim Charles, herdeiro do trono da França. Charles se convence, 12 anos depois, de vingar o assassinato de Luis de Orleans. O crime reacende a querela entre os Armagnacs e os Bourguignons, dividindo os franceses já debilitados pela derrota em Azincourt. Charles é deserdado pelo pai, Charles VI o Louco. Teria de esperar 10 anos para que uma certa Joana d’Arc o ajudasse a retomar o trono da França.

O duque de Borgonha, Felipe o Bondoso e o rei da Inglaterra Henri V assinam em 21 de maio de 1420 o Tratado de Troyes que entrega a França aos ingleses. É o resultado da derrota francesa em Azincourt e a divisão do reino. O delfim Charles VI só reina sobre a metade sul da França, seu conselho e sua corte são itinerantes. Seu filho, Charles VII, ajudado por Joana d’Arc conseguiria “botar os ingleses fora da França”.

Em 29 de abril de 1429, a jovem lorena, Joana d’Arc, que se dizia enviada de Deus para proclamar a legitimidade de Charles e expulsar os ingleses do reino, entra em Orleans à frente de um exército. A cidade estava sitiada desde outubro de 1428 eseria libertada em 8 de maio de 1429. Joana d’Arc levaria Charles VII a ser coroado na catedral de Reims em 17 de julho de 1429.

Joana d’Arc, que jogou um papel decisivo na libertação de Orleans, é capturada em 23 de maio de 1430 em Compiegne p or um mercenário a serviço do duque de Borgonha, Jean de Luxembourg, e vendida aos ingleses por 10 mil libras.  Acusada de heresia, Joana a Virgem comparece diante de um tribunal em Rouen composto de 40 membros e presidido por Pierre Cauchon, bispo de Beauvais. A primeira sessão pública teria lugar em 21 de fevereiro de 1431 na capela real do castelo de Rouen. Em 24 de maio, Joana d’Arc abjuraria e reconheceria seus pecados antes de se retratar em 28. Joana seria queimada viva na praça do Velho Mercado em Rouen, em 30 de maio. O rei Charles VII, a quem havia salvado, não fez qualquer gesto em seu favor.

O exército francês consegue uma vitória decisiva na cidade girondina de Castillon. Esta batalha, travada em 17 de julho de 1453, marcou o fim da Guerra dos Cem Anos. Os ingleses renunciam a qualquer porção do território francês e o abandonam completamente.

Outros fatos marcantes da data

Nazistas são condenados no Tribunal de Nuremberg

Vista do banco dos réus no Tribunal de Nuremberg

O Tribunal Militar Internacional de Nuremberg declara em 30 de setembro de 1946 que 18 líderes nazistas são culpados de crimes de guerra e dos quais 11 condenados à pena capital por ”crime contra a humanidade”.

Ao se aproximar a data do início dos julgamentos – 20 de novembro de 1945 – a cidade começou a se encher de visitantes. Equipes de cerca de mil procuradores, advogados e juristas passaram a ouvir testemunhas e organizar dezenas de milhares de documentos. Advogados alemães, alguns dos quais nazistas, chegam para entrevistar seus clientes.

No dia da abertura, os 22 acusados tomam assento no banco dos réus. Às 10h00, o presidente do tribunal, o britânico Geoffrey Lawrence, proclama: “Atenção. Todos de pé!” Juízes dos 4 países – União Soviética, Estados Unidos, Grã Bretanha e França – tomam seus lugares.

O julgamento começa com a extensa leitura das acusações: Primeira Acusação: “conspiração para desencadear guerra agressiva”, anexação da Áustria e invasão de diversos países europeus; Segunda Acusação: “desencadeando uma guerra agressiva; Terceira Acusação:”crimes de guerra” como extermínio ou maus tratos de prisioneiros e utilização de armas proibidas; Quarta Acusação: “crimes contra a humanidade” crimes cometidos contra os judeus, minorias étnicas, contra os deficientes físicos e mentais, contra os civis em países ocupados.

O processo foi dividido em duas fases principais. A primeira centrou-se em estabelecer a criminalidade dos vários componentes do regime nazista, enquanto a segunda buscou estabelecer a culpabilidade individual dos acusados. Examinou-se na primeira fase a utilização pelos nazistas do trabalho escravo e os campos de concentração. Foram trazidas provas do verdadeiro horror do regime nazista. Por exemplo, em 13 de dezembro de 1945, o promotor Thomas Todd mostrou imagens de pele humana tatuada curtida de vítima de campo de concentração, preservada para Isle Koch, a mulher do comandante de Buchenwald, que gostava de usá-la em seus abajures.

Em 18 de dezembro, começou-se a exibir provas da culpabilidade de cada um dos membros da liderança do Partido Nazista, do Gabinete governamental, da SS, da Gestapo, do alto comando militar.

Em janeiro de 1946, vítimas dos campos de concentração contaram suas experiências. Marie Vaillant-Couturier, francesa de 33 anos, deu um pavoroso depoimento do que vira em Auschwitz em 1942.  Relatou que certa noite foi acordada por horríveis gritos. No dia seguinte soube que, como tinha se esgotado o gás Zyklon B, os nazistas começaram a lançar as crianças dentro do forno crematório vivas.

Num outro momento, o advogado de Goering perguntou se o Partido Nazista chegara ao poder por meios legais. Numa longa resposta, contou a ascensão dos nazistas. “Uma vez lá instalados, estávamos determinados a mantê-lo sob quaisquer circunstâncias.” Adiante o procurador Robert Jackson, após descrever a terrível Kristallnacht, Noite dos Cristais Partidos, em que foram destruídas centenas de lojas e sinagogas, perguntou se confirmava suas palavras ditas na ocasião a um destacamento de segurança –” Exijo que a judiaria alemã contribua com um bilhão de marcos por seus crimes abomináveis”. Goering consentiu e acrescentou: “Eu não gostaria de ser judeu na Alemanha”.

Muitos dos acusados alegaram obedecer ordens ou desconhecer os fatos. Alguns confessaram seus crimes, oferecendo desculpas pelas ações. O marechal  Wilhelm Keitel confessou-se “arrependido por não ter rejeitado ordens dadas na execução da Guerra no Leste contrárias à moral bélica.” Hans Frank, governador nazista da Polônia, respondeu “sim” se havia participado na aniquilação dos judeus e acrescentou. “Mil anos se passarão e a culpa da Alemanha não terá sido apagada”.

Conclusão

Em 30 de setembro, os 21 acusados são reunidos pela última vez para ouvir os veredictos. O presidente Sir Geoffrey Lawrence diz que devem permanecer sentados enquanto a sentença é anunciada. “O acusado, Hermann Goering, foi a força motriz das guerras agressivas, o segundo só atrás de Adolf Hitler…. Determinou que Himmler e Heydrich encontrassem uma solução final para a questão judaica. Culpado das 4 acusações.” Prosseguiu com os veredictos. Ao todo, 18 réus foram condenados por uma ou mais acusações e 3 – Schacht, Von Papen e Fritzsche – considerados não culpados.

O Tribunal Militar Internacional condenou Goering, Ribbentrop, Keitel, Rosenberg, Frank, Frick, Kaltenbrunner, Streicher, Sauckel, Jodl e Seyss-Inquart à morte na forca. Prisão perpétua para Hess, Funk e Raeder. Von Schirach e Speer receberam pena de 20 anos, Von Neurath, 15 anos e Doenitz, 10 anos.

Em 15 de outubro, véspera da data marcada para a execução, Goering deixa um bilhete dizendo que admitia ser fuzilado, mas como marechal do Reich não se permitiria ser enforcado e que preferia morrer como Aníbal. Ato contínuo, põe uma cápsula de ácido cianídrico entre os dentes e aperta as mandíbulas.

Outros fatos marcantes da data

Pacto Tripartite: Alemanha, Itália e Japão

Capa do Jornal do Brasil: Sábado, 28 de setembro de 1940

Pelo tratado firmado em Berlim, a Alemanha e a Itália reconhecem a supremacia do Império do Sol Nascente no Extremo Oriente enquanto esta nação aceita o domínio daquelas na Europa.

Jornal do Brasil: Sábado, 28 de setembro de 1940 - página 7

Uma ampla aliança foi assinada entre Japão, Alemanha e Itália com propósito de assegurar a essas potências o domínio do mundo e seus movimentos de expansão tendentes a estabelecer novas ordens na Europa e Ásia através da cooperação militar, política e econômica. Esse auxílio, contudo, visou não conflitar com nenhum acordo pré-existente entre qualquer uma das nações e a União Soviética.

O pacto foi uma resposta às maquinações dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha para manter a hegemonia mundial e ao acordo da União Soviética com a Inglaterra onde, em troca de 50 contra-torpedeiros cedidos aos ingleses, os soviéticos ganharam bases navais e aéreas no Ocidente.

A cerimônia da assinatura foi transmitida por todas as rádios do Reich e retransmitidas ao exterior, sobretudo para a Itália e o Japão. Assinaram o pacto: Von Ribbentrop, pela Alemanha; o embaixador Saburu Kurusu, pelo Japão; e o ministro Conde Ciano, pela Itália.

General Patton comete gafe que o tiraria da Segunda Guerra

George S. Patton é recebido em carreata em Los Angeles (CA); general foi um dos principais estrategistas da Segunda Guerra
O general George Smith Patton era amado e odiado pelos seus soldados. Amado por tratar-se de um guerreiro e estrategista nato; odiado pelo fato de ser rígido ao ponto de não admitir que seus soldados sofressem fadiga de batalha. Patton também era famoso por não ter papas na língua, o que lhe causou muitos problemas.

No dia 22 de setembro de 1945, em uma coletiva aos correspondentes da Segunda Guerra, o general diz que não ver necessidade nessa “coisa de desnazificação” e compara a controvérsia sobre o nazismo a uma “luta eleitoral entre democratas e republicanos”. Uma vez mais, Patton metia os pés pelas mãos —seria a última.

Descendente de uma longa linhagem de militares, Patton graduou-se na Academia Militar de West Point em 1909 e serviu no Corpo de Tanques durante a Primeira Guerra Mundial. Como resultado dessa experiência, tornou-se um entusiasta defensor da Guerra de blindados. Durante a Segunda Guerra Mundial, como comandante do 7º Exército, capturou Palermo, Sicília, em 1943 exatamente por esse meio. A audácia de Patton tornou-se evidente em 1944, quando, como comandante do 3º Exército, invadiu boa parte do norte da França valendo-se de estratégia pouco ortodoxa e implacável.

Era um homem cheio de extravagâncias: falava francês, fazia poesias e gostava de desenhar seus uniformes, usava uma pistola Colt 45 com cabo revestido de marfim e suas iniciais gravadas em preto. Acreditava em reencarnação. Jurava ter lutado em Troia, tomado parte das legiões romanas de Júlio César contra Vercingetórix, ter sido o comandante cartaginês Aníbal e ter participado das guerras napoleônicas.

A história do general foi levada ao cinema, 1970, no filme ‘Patton: herói ou rebelde?’; papel rendeu o Oscar de melhor ator a George C. Scott

A língua de Patton, no entanto, provou-se tão perigosa para a sua carreira quanto os alemães. Quando repreendeu e estapeou um soldado hospitalizado, diagnosticado com neurose de Guerra, a quem acusou de “se fazer de doente”, Patton teve sua cabeça pedida pela imprensa. O general pensou que seria retirado da ativa, não fosse a intervenção dos generais Dwight Eisenhower e George Marshall. Após meses de inatividade, voltou ao campo de batalha.

De fato, na Batalha da Bélgica, durante a qual foi bem-sucedido em empregar uma estratégia complexa e engenhosa, conseguiu contornar o avanço alemão em Bastogne, empreendendo uma contra-ofensiva, empurrando os germânicos para leste cruzando o Reno até atingir a Tchecoslováquia.

Patton teve mais uma chance de exibir sua astúcia na Batalha das Ardenas, na fronteira da Bélgica com a Alemanha. Durante cinco dias, os alemães isolaram 18 mil soldados americanos na cidade de Bastogne. Patton foi convocado para salvá-los. Em apenas três dias, resgatou os compatriotas.

O destino seguinte era o coração da própria Alemanha. Quando cruzou o Reno, Patton violou novamente ordens que proibiam o 3º Exército de atravessar o rio. Uma noite, ouvindo uma transmissão da BBC, escutou um discurso de Churchill atribuindo ao britânico General Montgomery a façanha de ser o primeiro militar a atingir o Reno. Patton enfureceu-se e, diante dos auxiliares, arriou as calças e urinou no Reno gritando: Eu fui o primeiro!

Patton possuía muitos dons, contudo a diplomacia não era um deles. Após a Guerra, estacionado na Alemanha, criticou o processo de “desnazificação” e a remoção de antigos membros do partido nazista de posições políticas administrativas e governamentais. No entanto, as declarações politicamente incorretas resultaram na sua destituição do cargo de comandante dos Estados Unidos na Baviera. Foi transferido para o 15º Agrupamento, como forma de punição, o que marcou o fim de sua participação na Segunda Guerra. Em dezembro de 1945 quebrou o pescoço num acidente de carro que o deixou tetraplégico, vindo a falecer menos de duas semanas depois, aos 60 anos.

Outors fatos marcantes da data

Iraque invade Irã e inicia guerra

A localização da província de Khuzestão no mapa do Irã. A região faz fronteira com Iraque

Disputas  fronteiriças permanentes e agitação política no Irã levaram o presidente do Iraque, Saddam Hussein a lançar em 22 de setembro de 1980 uma invasão da província iraniana do Khuzestão, fértil em petróleo. Após progressos iniciais, a ofensiva iraquiana foi reprimida. Em 1982, o Iraque recuou voluntariamente e buscou um acordo de paz, todavia o aiatolá Khomeini recusou e permaneceu em combate. O impasse no campo de batalha e a morte de dezenas de milhares de jovens conscritos iranianos no Iraque prosseguia. Os centros populacionais de ambos os países eram bombardeados e o Iraque passou a empregar armas químicas. No Golfo Pérsico, uma “Guerra de Navios Petroleiros” reduziam drasticamente a navegação pelo estreito de Ormuz e faziam aumentar o preço do petróleo. Em 1988, o Irã finalmente concordou com um cessar-fogo.

Os dois países entraram em guerra por questões territoriais. Saddam Hussein queria ampliar seu território e conseguir aumentar os seus recursos provenientes da extração de petróleo. Se tivesse êxito, o Iraque chegaria ao segundo ou ao primeiro lugar na exportação de óleo, superando a Arábia Saudita.

A par desse desejo de conquista, como pano de fundo estava presente a Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética. Washington se posicionou em favor do Iraque visto que a república dos aiatolás, por razões históricas, políticas e econômicas, se constituía em barreira à aos interesses norte-americanos. Isto levou a União Soviética, quase que automaticamente, a se colocar em favor de Khomeini.

Com o objetivo de causar destruição para finalmente derrocar o governo dos aiatolás, os Estados Unidos passaram a fornecer um avultado apoio bélico que se traduziu em fornecimento de armas modernas, artilharia pesada, mísseis portáteis, aviões e helicópteros e armamento individual. O Irã, de seu lado, tentou fazer o mesmo, apoiando-se no fornecimento de Moscou e de outras fontes.

A consolidação do governo do aitaolá Khomeini representou uma ameaça aos interesses políticos e econômicos dos Estados Unidos na região. Tal oposição se iniciou quando, o governo iraniano decidiu cortar suas relações diplomáticas e econômicas com os Estados Unidos. Com isso, Washington perdia um de seus mais importantes aliados e fornecedores de petróleo.

Diante do impasse, os EUA passaram a estreitar relações com o Iraque visando a deflagração de uma guerra que pudesse derrubar o regime islâmico iraniano. Na época, Saddam Hussein usou de uma injustificada disputa pelo controle do canal de Chatt-el-Arab, por onde ambos os países realizavam o escoamento de seus produtos. Ante a negativa iraniana em ceder os territórios, Saddam decidiu invadir o espaço iraniano e destruir uma das maiores refinarias do mundo.

Enquanto os iranianos realizavam ataques contra a ação intervencionista do regime de Saddam Hussein, os EUA e outras nações árabes de orientação sunita apoiaram militarmente as forças iraquianas. Nesse meio tempo, a minoria curda que vivia no Iraque aproveitou do período instável para guerrear contra o ditador Saddam Hussein na esperança de estabelecer um governo independente na região. O reforço bélico estrangeiro serviu para promover o genocídio dessa minoria étnica.

A deflagração desse conflito paralelo permitiu aos iranianos resistir durante oito anos. O prolongamento dos combates acabou desgastando os dois lados do conflito e seguindo a orientação da ONU, assinaram um cessar-fogo que preservou os mesmos limites territoriais anteriores à guerra. Mais de 700 mil vidas foram ceifadas inutilmente: manteve-se o status quo anterior.

Começava a Guerra Irã-Iraque

exatos 29 anos aviões iraquianos bombardeavam 11 bases militares do Irã, que, em represaria, reagiria assumindo o controle militar do Estreito de Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico. O ato foi considerado pelo Iraque como “uma declaração de guerra total” e marcou o início da Guerra Irã-Iraque, um conflito militar que durou até 1988, e foi resultante de disputas políticas, territoriais e religiosas entre os dois países – embora ambos islâmicos, o Iraque é sunita, enquanto o Irã xiita.

O presidente iraquiano Saddam Hussein afirmou ter ordenado os ataques para dissuadir o ayatolah Khomeiny, líder do Irã, de lançar seu país numa guerra total. Entretanto, o líder iraniano declarou que Hussein estava em “guerra contra o Islã” e ordenou ao povo iraquiano que se levantasse contra “o mercenário da América do Norte”, referindo-se a Hussein. Na ocasião, o então presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, disse que seu país estava fazendo o possível para ajudar o Irã e o Iraque a encontrarem uma solução pacífica para o conflito entre eles.

Precavendo-se contra as possíveis conseqüências do agravamento do conflito entre o Irã e o Iraque, a Petrobras decidiu suspender as negociações para a pretendida redução das suas compras de óleo – a intenção inicial do governo era reduzir suas importações de 850 mil para 600 barris por dia. Já o Chanceler brasileiro Saraiva Guerreiro considerou prematuro qualquer julgamento sobre o conflito entre Irã e Iraque, e lembrou que o Brasil possuía relações com os dois países, fazendo votos para que os incidentes do dia 22 de setembro não se degenerassem em uma guerra, o que, infelizmente, acabou ocorrendo.

Pacificação tardia

Em 8 de agosto de 1988, após oito anos de conflitos e de mais de um milhão de mortos e feridos, o Secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Javier Perez de Cuellar, anunciou que o Irã e o Iraque concordaram em cessar todas as hostilidades em terra, mar e ar, a partir da zero hora do dia 20 de agosto. Cinco dias depois se iniciariam as negociações diretas de paz, enquanto um grupo de 350 observadores, de 25 países, fiscalizaria o respeito à trégua nos campos de batalha. A iniciativa de pôr fim ao conflito foi saudada pelos principais governos ocidentais, especialmente Washington.