Vista aérea do festival de Woodstock, em 1969

Vista aérea do festival de Woodstock, em 1969

Em um dos períodos mais conturbados da humanidade, quatro jovens idealizaram um festival de música sem ter noção de que o mesmo se tornaria o maior evento mundial do rock. Tinha o objetivo inicial de reunir cerca de cem mil pessoas. Porém, estima-se que 450 mil pessoas compareceram ao evento.

Woodstock ficou conhecido como o maior dos festivais, tendo como lema “Três Dias de Paz, Amor e Rock and Roll“.Através do mesmo, reuniram-se consagrados nomes do rock and roll, como Janis Joplin, Jimi Hendrix, Joe Cocker, Jefferson Airplane, Santana, dentre outros. Nesse festival da contra cultura, marcou-se a liberdade dos jovens, em uma apologia à diversão e ao estilo musical que extrapola as regras e os limites impostos pelos mais conservadores da época.

Nova Iorque de repente se viu em um dos maiores engarrafamentos de sua história, mas como a paz era um dos principais elementos que figuravam no movimento, não aconteceram acidentes ou manifestações de violência. O festival deveria ocorrer originalmente na pequena cidade de Woodstock, mas os moradores locais não aceitaram, o que levou o evento para a pequena Bethel, a uma hora e meia de distância.

O festival exemplificou a era hippie e a contracultura do final dos anos 1960. Trinta e dois dos mais conhecidos músicos da época apresentaram-se durante um chuvoso fim de semana defronte a meio milhão de espectadores. Apesar de tentativas posteriores de emular o festival, o evento original provou ser único e lendário, reconhecido como um dos maiores momentos na história da música popular.

Porém, a precariedade da estrutura montada não foi suficiente para atender a multidão presente no local, o que fez apresentar problemas de higiene, falta d’água e de alimentos. Foi marcado também pelo disseminado uso de drogas. Woodstock simbolizou os valores da juventude da década de 60, protestando contra a guerra e contra o capitalismo, levantando a bandeira do amor livre.

Texto de Diego Vieira. Administração Imagens Histórica

Projeto Hendrix 70 – Tributo a Hendrix com Andreas Kisser

Estreou o projeto Hendrix 70 que levou grandes nomes da música nacional ao palco do Sesc Vila Mariana

Estreou o projeto Hendrix 70 na última sexta-feira (1º), que levou grandes nomes da música nacional ao palco do Sesc Vila Mariana para uma série de três apresentações em tributo a um dos maiores guitarristas de todos os tempos, Jimi Hendrix.

A lenda da guitarra, que partiu aos 27 anos, mas deixou um dos mais importantes legados da história da música – especialmente do rock -, estaria com 70 anos hoje. Para a celebração de sua vida e obra, Andreas Kisser, Edgard Scandurra, Lanny Gordin, Martin, Pitty e Hélio Flanders se uniram no comando da festa.

Os músicos Du Moreira (baixo) e Loco Sosa (bateria) assinaram a direção musical do evento e assumiram o desafiador papel de ‘cozinha’ desta banda, cumprindo a função com louvor. Afinal, nas canções mais marcantes da carreira do homem da guitarra, estavam os gigantes Noel Redding e Mitch Mitchell, até hoje ídolos do baixo e da bateria, respectivamente.

Du e Loco, acompanhados do guitarrista Estevan Sinkovitz formaram a base do espetáculo e abriram com um número instrumental antes de apresentarem as primeiras atrações: Hélio Flanders (vocalista do Vanguart) e o guitarrista Edgard Scandurra, que com sua stratocaster canhota executou os clássicos “Hey Joe” e “Fire” com muita categoria. Hélio não poupou suas emoções e interpretou todas as canções com o ‘feeling’ de um fã emocionado.

Após a interpretação meio Dylan, meio Hendrix de “All Along The Watchtower”, na qual Flanders tocou violão, gaita e cantou, Scandurra mandou “Highway Chile”, com direito aos efeitos especiais da guitarra em frente ao amplificador – como o mestre fazia infernalmente – seguidos de “Foxy Lady”. Destaque para os ótimos timbres de guitarra.

Em um momento mais introspectivo, Edgard chamou o lendário guitarrista Lanny Gordin para um instrumental em “Burning of the Midnight Lamp” repletos de arpejos e solos – só os dois. Na sequência, eles interpretaram um dos maiores hinos do “Deus”, “rei”, “pai” (como preferir) das seis cordas: “Purple Haze”.

Martin Mendonça empunhou sua SG e enfrentou o microfone num arriscado “The Wind Cries Mary”, na configuração power trio, antes de chamar sua “melhor amiga, Priscilla Leone”, a Pitty, que cantou “If 6 Was 9” e se achou mesmo na ótima interpretação de “Crosstown Traffic”.

Por fim, Andreas Kisser, o músico mais esperado e ovacionado da noite, mandou a ‘power valsa’ “Manic Depression” e absolutamente matou a pau ao cantar e tocar “Who Knows” e “Stone Free”.

Para o bis, todos os artistas se juntaram na interpretação de “Little Wing”, cantada por Flanders, e com solos de todos os guitarristas, visivelmente emocionados. Uma belíssima homenagem a James Marshall Hendrix, influência obrigatória na formação de qualquer músico. O show Hendrix 70 aconteceu também nos dias 02 e 03, com ingressos esgotados.

Morre Janis Joplin, e o blues perde sua áspera voz branca

Janis Joplin. Reprodução

Não saberia fazer de outra forma. E isto é a pura verdade. A exaustão faz parte de mim, até mesmo nas viagens que realizo. As pessoas ficam espantadas porque, mesmo nos ensaios, eu canto desta forma. Mas é a única voz que possuo. E é como sei fazer

Janis Joplin

Apenas 16 dias depois do mundo da música ser abalado com a perda do cantor, guitarrista e compositor Jimi Hendrix, o Blues-rock perdia mais uma de suas estrelas: a cantora e compositora Janis Joplin era encontrada morta em seu quarto de hotel, em Los Angeles, vítima de uma overdose de heroína. Janis Joplin tinha apenas 27 anos e despontava como uma das artistas de blues mais promissoras da sua geração.

Janis Lynn Joplin nasceu em 19 de janeiro de 1943, na cidade de Port Arthur, Texas. Cresceu sob a influência de músicos de blues como Bessie Smith e Big Mama Thornton, o que a levou a tomar parte no coro local. Aos 16 anos, enquanto suas amigas de infância frequentavam o ginásio, Joplin se aventurava em viagens de carona pelos Estados Unidos aproximando-se cada vez mais da cultura negra do blues. Durante a década de 60 passou a fazer parte da Big Brother & The Holding Company, gravando o álbum homônimo em 1967. Em 1968, lançca Cheap Trills, tido como um dos melhores de sua carreira e responsável por tornar a cantora famosa. Janis Joplin ainda faria parte de mais duas bandas – a Kozmic Blues Band e a Full Tilt Boogie Band – e gravaria mais dois álbuns, sendo o último, Pearl, lançado um ano após sua morte.

Morre Janis Joplin. Jornal do Brasil: terça-feira, 6 de outubro de 1970Sua voz era áspera, como áspera era sua forma de vida.

O corpo de Joplin foi cremado no cemitério Parque Memorial de Westwood Village, na Califórnia, e suas cinzas foram espalhadas no Oceano Pacífico.

Uma visita tumultuada

Janis Joplin esteve no Brasil no ano de sua morte. Sua visita foi tão tumultuada quanto sua personalidade: foi expulsa do Municipal, sofreu um acidente na Barra da Tijuca, não conseguiu realizar um show público na Praça General Osório e subiu à Rocinha para beber gim com alguns moradores do local. Sua relação com a imprensa do Brasil também não foi pacífica, tratando mal jornalistas e classificando algumas perguntas como “imbecis”. Apesar de tudo, declarou ao Jornal do Brasil que gostou muito da Bahia e, apesar dos problemas em terras brasileiras, certamente sentiria falta de nosso país.