Entenda por que o brasileiro Marin foi preso na Suíça a pedido dos EUA

Fifa - Ilustração de Carlos Latuff, Dialison Cleber Vitti, Dialison Cleber, Dialison Vitti, Dialison, Cleber Vitti, Vitti, #DialisonCleberVitti, @dcvitti, dcvitti, #blogdodcvitti, Ilhota, 2015, Newsletter, Feed

Interpol havia solicitado detenção do cartola ao Brasil, mas por não se encontrar no país, detenção ocorreu em Zurique; ele deverá ser extraditado aos EUA.

José Maria Marin, ex-presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), foi detido na manhã desta quarta-feira (27) em Zurique, na Suíça, junto om outros oito dirigentes de futebol. O pedido para as prisões foi feito pela Justiça dos Estados Unidos, que investiga uma rede de subornos na escolha das sedes das edições da Copa do Mundo em 2018 e 2022. Ele deverá ser extraditado para os EUA, onde será julgado. A rede de corrupção pode existir há pelo menos 24 anos.

A Justiça dos EUA já havia pedido ao governo brasileiro, há alguns dias, a detenção de Marin. A ordem foi emitida assim que o FBI e a Justiça do país concluíram o indiciamento. O alerta da Interpol chegou a ser emitido, mas o cartola não estava em território brasileiro e, por esse motivo, a prisão foi efetuada na Suíça, que também recebeu o alerta.

As autoridades suíças não têm o histórico de colaborar com investigações e podem, inclusive, recusar a extradição de acusados por crimes fiscais. Mas, por se tratar de um crime comum e pelo fato do Departamento de Justiça da Suíça também estar investigando a Fifa por corrupção e lavagem de dinheiro, o país uniu forças com os Estados Unidos na operação.

A ação da Justiça norte-americana tem como fundamento o fato de que a lei do país dá ao Departamento de Justiça autoridade para investigar estrangeiros que vivem no exterior caso estes tenham alguma ligação com o país. Esta conexão pode ser identificada a partir do uso de serviços de bancos ou até de provedores de internet norte-americano.

No caso da investigação da cúpula da Fifa, as autoridades do país entenderam que foram cometidos e preparados três crimes nos Estados Unidos, com pagamentos realizados por meio de bancos americanos.

Quatro pessoas que se declararam culpadas estão colaborando com as investigações, em uma espécie de delação premiada. Entre elas está o empresário brasileiro José Hawilla, dono e fundador do grupo Traffic, um conglomerado de marketing esportivo responsável por diversas negociações de direitos de transmissão. Hawilla também é dono da TV Tem, afiliada da TV Globo.

Embrião da corrupção

Há suspeitas de que o esquema de corrupção funcionou por 24 anos, mas o início das investigações ocorreu por suspeitas de fraude na escolha da sede das copas do mundo de 2018, na Rússia e 2022, no Qatar. Os Estados Unidos eram o principal candidato para sediar o mundial de futebol em 2022.

As suspeitas de corrupção na Concacaf (Confederação de Futebol das Américas Central e do Norte) fizeram com que o FBI entrasse na investigação.

“A acusação alega que a corrupção é desenfreada, sistêmica e profundamente enraizada tanto no exterior como aqui nos Estados Unidos”, disse a procuradora-geral dos Estados Unidos, Loretta Lynch.

Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, eventos como os jogos das Eliminatórias da Copa na Concacaf, a Copa Ouro, a Concachampions, a Copa América e a Copa Libertadores teriam participado do esquema de pagamentos de propinas e subornos. Há ainda o indício de irregularidades na escolha da sede da Copa de 2010, na África do Sul.

Brasil

A presidente Dilma Rousseff, que está em visita oficial no México, comentou as prisões: “acredito que toda investigação sobre essa questão é muito importante, acho que ela vai permitir uma maior profissionalização do futebol. Não vejo como isso pode prejudicar o futebol brasileiro, acho que só vai beneficiar o Brasil”.

A mandatária defendeu a investigação de eventuais desvios na Copa do Mundo no Brasil em 2014 e também de outros mundiais. “Acho que se tiver que investigar, investigue todas as Copas, todas as atividades. Isso vale para todos, vale desde a [Operação] Lava Jato até essa prisão, há que investigar, não vejo por que não”.

Fifa

Em comunicado oficial, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, afirmou que as investigações começaram por ação da própria entidade. “Enquanto muitos estão frustrados com o ritmo da mudança, eu gostaria de frisar as medidas que tomamos e que continuaremos a tomar. De fato, essas ações tomadas pelo Escritório da Procuradoria Geral da Suíça foram iniciadas depois que nós apresentamos um relatório às autoridades suíças final do ano passado”, explicou.

Fonte: Opera Mundi

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“A Fifa tem a estrutura de uma máfia!”

Andrew Jennings, Dialison Cleber Vitti, Dialison Cleber, Dialison Vitti, Dialison, Cleber Vitti, Vitti, #DialisonCleberVitti, @dcvitti, dcvitti, #blogdodcvitti, Ilhota, 2014

Conheça um pouco da história de Andrew Jennings, um dos autores do livro Brasil em jogo O que fica da Copa e das Olimpíadas? que ainda quero ter, e vou comprá-lo.

Premiado jornalista investigativo escocês, mundialmente conhecido pelo seu trabalho sobre o Comitê Olímpico Internacional e a Fifa, que ele chama da “máfia dos esportes” globais. É autor de Jogo sujo, o mundo secreto da Fifa (Panda Books, 2011), entre outros. Até hoje é o único repórter do mundo banido das coletivas de imprensa da Fifa.

Nascido em 1946, na Escócia. Mudou-se para Londres, na Inglaterra, ainda criança. Nos anos 1960, começou a carreira trabalhando para o jornal The Sunday Times. Passou por outras publicações britânicas até chegar à rádio BBC Four e, depois, à BBC TV, onde se destacou como repórter investigativo. Preparou reportagem sobre corrupção na New Scotland Yard, quartel-general da Polícia Metropolitana de Londres, que a emissora recusou-se a exibir. Demitiu-se, escreveu um livro sobre o tema – Scotland Yard’s Cocaine Connection (Jonathan Cape, 1990), com Paul Lashmar e Vyv Simon – , refez a matéria com Paul Greengrass (diretor de O ultimato Bourne) e a exibiu pelo programa World in Action, da TV Granada, do Reino Unido, em 1986.

Passou a atuar como colaborador do programa, para o qual realizou várias reportagens e documentários. Sua investigação sobre o envolvimento britânico no caso Irã-Contras ganhou a Medalha de Ouro 1989 do New York TV Festival. Em 1992, revelou o passado fascista do então presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Juan Antonio Samaranch, e a corrupção dentro da organização. A denúncia lhe valeu uma sentença de prisão por cinco dias, algo que ele considera o maior prêmio que já ganhou na carreira.

Liderou, em 1993, a equipe que tornou-se a primeira da televisão ocidental a gravar imagens da Chechênia, para uma matéria sobre a atividade mafiosa no Cáucaso, transmitida pela Carlton TV. No mesmo ano, apresentou o programa Bus Stop na BBC Four. Na televisão, voltou a destacar-se ainda pelo trabalho investigativo sobre Hamilton Bland, técnico de esportes aquáticos do Comitê Olímpico Britânico, em 1997, e sobre a privatização ferroviária no Reino Unido, em 1998, para o World in Action.

Depois de 20 anos, voltou para a BBC TV, onde participa do programa de documentários Panorama. Começou investigando várias alegações de corrupção dentro da Federação Internacional de Futebol Association (Fifa), atribuidos a Jack Warner, presidente da Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf), que incluiam milhões de dólares em suborno para garantir os direitos de comercialização para a ISL, empresa suíça de marketing esportivo. No mesmo programa, mostrou ainda como funciona a prática da compra de votos para garantir a posição de Sepp Blatter, presidente da Fifa.

Continuou a explorar o tema em outras reportagens. Em uma delas explorou a relação entre o político e ex-atleta olímpico Sebastian Coe e o Comitê de Ética da Fifa. Em outra, de grande repercussão no Brasil, apresentou a denúncia de corrupção de alguns membros da Fifa e do Comitê Executivo que votou na escolha da sede da Copa do Mundo de Futebol 2018, envolvendo Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol e, então, do Comitê Organizador da Copa do Mundo de Futebol Brasil 2014, Nicolás Leoz, presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), e Hayatou Issa, presidente da Confederação Africana de Futebol (CAF). Eles teriam recebido suborno da ISL, então detentora dos direitos de transmissão de televisão do evento e que foi à falência no início de 2011. Desde março de 2003, seu nome é o único proscrito das entrevistas coletivas promovidas pela Fifa, por ordem expressa de Blatter.

Escreveu para os jornais Financial TimesThe Sunday TimesThe TimesThe GuardianThe ObserverThe Daily TelegraphPrivate Eye e New Statesman, com matérias republicadas no mundo inteiro. No rádio, atua em vários canais da BBC, incluindo os transmitidos internacionalmente. Na BBC Radio Five apresentou o programa On The Line, sobre Esportes, e o Seven Brides for One Brother, sobre poligamia no estado americano de Utha. No ano 2000, montou um programa dividido em quatro partes sobre seu livro de escândalos olímpicos.

Em outubro de 2011, esteve em Brasília (DF), onde depôs em audiência pública da Comissão de Educação, Esporte e Cultura do Senado Brasileiro sobre o envolvimento de Blatter, João Havelange, ex-presidente da Fifa, e Ricardo Teixeira em irregularidades.

Mantém, na Internet, o site www.transparencyinsport.org, onde divulga suas ideias e publicações.

Ganhou muitos prêmios na Europa e na América, além do de 1989, entre eles o Prêmio Gerlev 1998, por sua “contribuição para a liberdade de expressão democrática no esporte”;  o Prêmio Integridade em Jornalismo 1999, atribuído pela OATH, um grupo formado por atletas olímpicos, e o Prêmio da Royal Television Society 2000, por sua investigação de corrupção nos Jogos Olímpicos. É membro honorário vitalício da Associação Americana de Treinadores de Natação, cargo concedido por seu trabalho de investigação sobre os escândalos de doping e de manipulação de resultados na natação olímpica.

Participa de conferências acadêmicas em diversos países de todos os continentes, inclusive no Brasil, onde mostrou-se favorável à abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a administração de Ricardo Teixeira na CBF, conforme proposta pelo ex-jogador Romário de Souza Faria, campeão mundial de 1994.

Além de Scotland Yard’s Cocaine Connection, escreveu Os Senhores dos Anéis: Poder Dinheiro e Drogas Nas Olimpíadas Modernas (Best Seller, 1992), Jogo sujo: o mundo secreto da Fifa (Panda Books, 2011) e, mais recentemente, Um jogo cada vez mais sujo: o padrão Fifa de fazer negócios e manter tudo em silêncio (Panda Books, 2014).

Confira alguns vídeos disponibilizado na rede: